Paulo Bordhin

é uma figura incansável, exerce sua criatividade de forma bastante dinâmica, seja na feitura de esculturas, no design de jóias contemporâneas únicas, seja na interpretação de cada um de seus personagens ou ainda tocando e cantando uma música. Ao tentar defini-lo corro o risco de restringir a pluralidade de linguagens com as quais lida. Obras de arte, interpretações, música, produtos e projetos em exposições, espetáculos, galerias e lojas. No entanto, revela em seu trabalho a obsessão de artista. Bom humor e arte tornam sua figura tanto quanto seu trabalho imperdíveis! -- M. Eugênia Mourão


"O universo da Arte é inesgotável. Na aventura da criação, só a liberdade cria valores estáveis. O extraordinário desenvolvimento das novas tecnologias transformou os meios, os interesses e procedimentos do artista contemporâneo, tornando-o mais aberto, mais lúcido e mais reflexivo. Neste contexto há que registrar o processo criador de um dos nossos artistas mais desenvolvidos, Paulo Bordhin, artista jovem, de formação teatral, músico, poeta, pintor, solidamente vinculado a constantes pesquisas , fruto desse relacionamento espantoso e mágico de "suas Artes" .Nesta mostra o artista nos traz esculturas , desenvolvidas com inusitada sensibilidade e técnica aprimorada nos camarins de teatro. São belíssimos estudos da forma da vida através de um prisma do tempo, com uma obra personalíssima e vigorosa com domínio da estrutura e da forma, de poderosa expressão linear, volumétrica e espacial, num vocabulário de gestos inesperados e repentinos. É um trabalho que vem mais de dentro para fora, gestual, acaso pensado, linha/espaço, representações e imagéticas. Da poética de sua realidade atualíssima, surgem seres/mulheres, arlequinos, faunos, homens alados , figuras geométricas, provocando em nós, fruidores, o encantamento de um mundo atemporal, trazidos por Paulo Bordhin, um artista ao mesmo tempo muito antigo, quase um humanista/renascentista, e da mais estreita modernidade de um multimídia. " --Mali Villas Boas


Paulo Bordhin é um artista multimídia e crossmídia, que passeia com naturalidade por múltiplas plataformas da expressão das emoções. Não é à toa. Sua poesia canta. Seu canto tinge. Seus quadros encenam. Sua atuação contorce. E suas esculturas de arame narram histórias cheias de lirismo e movimento. Para muito além da técnica, dominada à base de milhares de horas de experimentos e estudos, Bordhin tem como matéria-prima essencial a inspiração. Capta do bolsão de conhecimento do inconsciente coletivo aquilo que sua obra comunica tão bem, tocando sentimentos e sensações acessíveis a todos. Aos iniciados e especialistas, também oferece o prazer da apreciação sofisticada. Minha interação com o trabalho de Paulo Bordhin aconteceu no papel de jornalista, fazendo uma reportagem. Logo de início, suas obras e sua intensa vivência no universo criativo me cativaram. É fascinante notar que suas criações – e há centenas delas, principalmente entre as artes plásticas – sempre contam histórias eloquentes. Narrativas essas que, muitas vezes, começam a se revelar de forma despretensiosa, sem destino certo, pelas suas mãos incansáveis. Ele deixa, dá trela e segue transpirando, por horas, sobre a peça. No final, Paulo Bordhin materializa o oculto, que urgia ser dito. Ele dá vida a essa potência de arte solta no ar, percebida com força dramática e interpretação muito particular. Esse talento, que tanto inspira quem com ele toma contato, precisa ser compartilhado com mais gente. Com imagens, poesias e uma boa contação dessa história. -- Carolina Cassiano


Estruttura à flor da pele

É um clássico do estudo de anatomia artística: é preciso compreender a estrutura, por exemplo a óssea, para depois conceber sobre ela a musculatura e, por fim, revesti-la com pele e adereços. Paulo Bordhin subverte esta lógica: suas criaturas de fio de alumínio são diáfanas, têm a transparência conferida pelos espaços deixados entre as voltas e voltas do arame, formando malhas abertas, linhas que formam planos vazados, que por sua vez viram volumes, o que já se adivinhava em pinturas como Espectro ou Rede. Aqui, a estrutura está por assim dizer à flor da pele, as peças lembram asas de insetos ou folhas secas vistas contra a luz. O resultado são criações, às vezes de grandes dimensões, mas paradoxalmente sem estrutura que as sustente; são como que feitas de ar, aprisionado e moldado pelo arame. A opção de Bordhin pelo fio de alumino se explica: ator, ele buscou um material que pudesse transportar facilmente para a coxia, a fim de trabalhar entre um e outro ato das peças que encena. A leveza do material, reforçada por seu brilho e tons claros, foi transposta ao natural para as peças acabadas; a maleabilidade do alumínio, por outro lado, confere às obras uma sensação de fragilidade, de efemeridade até. A par deste oco paradoxal que sustenta a estrutura, há ainda sugestão de movimento, como no ritmo sinuoso da Estrela-do-mar, no giro do Átomo, nas posturas dos animais e das figuras humanas. Dos adereços teatrais e da arte aplicada às peças levadas às exposições, não está ausente da obra de Bordhin um toque de humor; sentimos que se trata de um artista que se diverte enquanto cria - e que deseja transmitir este prazer ao seu público. -- Adalberto Santos